15 de janeiro de 2010

Contraponto

Quem acompanha ZoroBabel, sabe que há uma crítica constante à sociedade balizada pela eficiência, pela técnica e pela razão científica. Pois bem. Um dos meus livros prediletos, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, diz justamente que a alma torna-se superficial e fracassada frente a um futuro asfixiado pelo condicionamento da saúde, da alegria e de uma vida calculada.

Nestas idas férias, pude ler “Contraponto”, outro clássico de Huxley, que também nos lembra que adoramos habitar shoppings, calcular o colesterol de cada alimento, pesquisar parceiros que possam nos dar filhos saudáveis, tomar pílulas que nos deixam felizes, temer o “monstro da informação” que decide sobre nossas vidas, prisioneiros que somos da ciência, do sucesso fisiológico e da qualidade de vida.

O mote de Aldous, novamente, é a vida científica como mentira moderna por excelência. Nossa crença burlesca de que, com a ciência, chegamos à terra prometida. A utopia científica desumaniza, deixa a alma seca como poeira, como um vaso limpo, sem sujeiras, de onde nada brota.

2 comentários:

fernando disse...

Pedrão, blz?
Este livro li na faculdade, uns 12 anos atrás, junto com o 1984, do Crowell, não me lembro o nome. Bom, tento nas minhas aulas de marketing passar essa filosofia mais orgânica, de volta aos instintos perdidos do ser humano, seja p/ fazer propaganda ou no relacionamento com o cliente, pois lidamos com pessoas e não máquinas. Não concordo com modelos prontos e fórmulas mágicas. Cada pessoa é diferente e isto que dá graça ao ser humano. Se fosse pela assepsia moderna a qual estamos submetidos, nunca teríamos nos reunidos novamente com nossos amigos como fizemos neste fim de semana. É meu amigo, o mundo está ficando careta com seus sintéticos, felicidade artificial. Loucos Shereks são raros, peças de museu. Abç. Valeu pela cerveja.

O Livro dos Sentidos disse...

Falae Sr. Rosas!
Lendo este post lembrei da máxima de Srila Prabhupada: "nada vem do nada...", e também de um provérbio indiano: "O lótus nasce do lodo" hehe.
Grande abraço,
Flavio