Homenagem póstuma a Dom Um Romão, o mestre da experimentaçãoQuem poderia se tornar um ícone da bossa nova e, em seguida, experimentar linguagens como big beats, trip hop, ao lado de DJs e parafernálias eletrônicas? Quem mais se tornaria um dos criadores do samba-jazz e passaria, mais tarde, a ser adorado pela cena acid-jazz européia no final dos anos 1990?
Resposta fácil para poucos, custosa para muitos: Dom Um Romão, um dos maiores bateristas e percussionistas da história da música mundial, falecido aos 79 anos, vítima de um derrame cerebral.
Dom Um partiu com fôlego de garoto, disposição de menino. Gravou quase todos os estilos. Quando tocava jazz, tocava sem sotaque. Quando tocava samba-jazz, estilo que ajudou a criar, traduzia suas influências para um caldeirão essencialmente brasileiro. Dom Um se reinventou a todo instante, livre de preconceitos e modismos - tornando-se o grande precursor da união entre samba, jazz e hard bop.
Afinal, quem passaria intacto por Jorge Ben, Ron Carter, Tom Jobim, Frank Sinatra, Tony Bennett, Robert Palmer, Flora Purim, Elis Regina, Bobby Watson, Weather Report? A notícia de sua morte veio rápida, estarrecendo uma geração de músicos em todo planeta. Os compassos do tempo cessaram e levaram Dom Um Romão, seu swing ousado, sua cadência transformadora.

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